Valéria Credidio / Assessoria de Comunicação do LAIS/UFRN (ASCOM/LAIS) 

Em tempos de fake news e de pós-verdade, fazer auditoria no Sistema Único de Saúde pode ser um desafio a mais, levando em conta os interesses da sociedade e da mídia em geral. Esse foi o ponto de partida do café com ideias “Auditoria do SUS na agenda pública da mídia”, fechando o segundo dia de trabalho do I Seminário Internacional de Pesquisa e Qualificação do SNA/SUS, na tarde desta quarta-feira (27), no auditório da Secretaria de Educação a Distância, da UFRN.

O debate, mediado pelo pesquisador do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS/UFRN), Maurício Oliveira Júnior, e contou com a participação do professor do  Doutorado em Ciências da Comunicação do Instituto Universitário de Lisboa/ISCTE – Portugal, Tiago Lapa;  da Controladora Geral do Estado do RN, Luciana Daltro; e dos professores da UFRN Juciano Lacerda e Lyane Ramalho.

As apresentações foram abertas pelo pesquisador portugues, mostrando que o Sistema Nacional de Saúde (SNA) enfrenta problemas semelhantes ao do SUS, com matérias desfavoráveis e que mostram as fragilidades do sistema de saúde. No entanto, Lapa ressalta que a comunicação feita atualmente pela área da saúde é reativa, quando precisa ser proativa, informado à população. “Comunicação é confiança”.

Essa dificuldade de comunicação, para o pesquisador português, deve-se a falta de literacia, de um conhecimento mais aprofundado por parte da população para compreender as informações. Sendo assim, há uma falha na comunicação com o uso de uma linguagem rebuscada, dificultando o entendimento  do que está acontecendo cientificamente. “Ao mesmo tempo, ainda não se faz a “tradução” para uma linguagem simples e que possa realmente comunicar à população”.

Essa dificuldade também foi abordada pelo professor Juciano Lacerda que apontou ferramentas para o enfrentamento é recuperar a narrativa, contando histórias. “ Criar estratégias de comunicação em pessoas relevantes para a comunidade. Levar a informação na ponta, para as pessoas, produzindo narrativas completas. Esse é o desafio”.

Luciana Daltro e Lyane Ramalho também fizeram uma abordagem quanto à transparência e a necessidade de comunicação efetiva, com a participação da sociedade e melhor controle dos recursos da saúde pública e a relação com as políticas públicas.