Valéria Credidio / Assessoria de Comunicação do LAIS/UFRN (ASCOM/LAIS)
A necessidade de repensar a produção de conhecimento em saúde diante da cultura digital contemporânea levou a servidora da UFRN e pesquisadora do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS), Kaline Sampaio de Araújo, a realizar uma pesquisa científica articulando os eixos de Educomunicação, Narrativas transmídia, Recursos Educacionais Abertos, Design de interfaces e Média-arte digital. O resultado foi a tese de doutorado intitulada “Interfaces que contam histórias: Narrativas transmídia, Recursos Educacionais Abertos e Inovação como estratégias de promoção à saúde”, defendida recentemente e que recebeu nota máxima da banca.

O trabalho foi desenvolvido no âmbito do Projeto “Sífilis Não!”, executado pelo LAIS em parceria com o Ministério da Saúde do Brasil e a Organização Pan-Americana de Saúde, constituindo-se como o maior projeto para o enfrentamento da IST no contexto global.
Toda a pesquisa foi orientada pelo prof. José Emiliano Bidarra, da Universidade Aberta de Portugal, e coorientada pelo prof. Juciano Lacerda, do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Mìdia (PPgEM/UFRN). A banca contou com avaliadores da Universidade Aberta de Portugal, Universidade do Algarve, Universidade Complutense de Madrid e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
Durante a defesa da tese, a banca ressaltou a contribuição social e científica da tese, destacando a articulação eficaz entre as áreas propostas, o saber inédito gerado pela pesquisa, que propõe uma nova maneira de se produzir conhecimento, e a aplicabilidade prática das soluções. O trabalho teve recomendações para publicação, além de ser avaliado com nota máxima e com grau de distinção e louvor.
Resultados
Conforme explicado por Kaline Sampaio, que atua na Secretaria de Educação a Distância (SEDIS) da UFRN e desenvolve pesquisas na área de Educação e Comunicação no LAIS, o trabalho teve como abordagem metodológica a Practice-Based Research, em que pesquisar significa também criar soluções concretas e o conhecimento é construído a partir da interação e da participação do público no trabalho.
Entre os resultados práticos estão o desenvolvimento de um novo modelo de produção de REA, acompanhado por microfluxos específicos para diferentes formatos de recursos, tornando a produção mais organizada, colaborativa e alinhada aos princípios da Educação Aberta. Esse novo modelo já foi testado em mais de 400 REA produzidos no âmbito do “Sífilis Não!”, com resultados exitosos.
Outro resultado expressivo foi o desenvolvimento do aplicativo Theo, destinado à formação de professores, estudantes e demais interessados na produção de recursos educacionais, à utilização e ao compartilhamento em rede de REA, seja utilizando narrativas transmídia ou não. O aplicativo integra três dimensões: aprender, descobrir recursos e compartilhar histórias e materiais produzidos pelos próprios usuários.
O aplicativo foi validado em duas etapas (pré-validação e validação final), contando com a participação de especialistas de instituições do Brasil, Portugal e Espanha. Os participantes responderam a quatro tipos de instrumentos de coleta de dados para que os resultados fossem analisados quanti e qualitativamente – questionário sobre experiência digital, teste think aloud, Escala de Usabilidade de Sistemas (SUS) e entrevistas semiestruturadas.
Para a pesquisadora, os testes demonstraram que o Theo possui facilidade de uso, ambiente intuitivo e bom índice na Escala SUS, atingindo 75 pontos, considerado de boa usabilidade. “As entrevistas com os especialistas mostraram que o Theo foi percebido como uma ferramenta de elevado potencial pedagógico, além de um espaço de compartilhamento de experiências, um instrumento capaz de fortalecer comunidades de prática e um recurso que favorece autoria e produção colaborativa”, explicou.
Diante dos resultados obtidos e do êxito em sua defesa, Kaline Sampaio ressalta que o trabalho, desde o início, buscou encontrar soluções práticas para problemas reais da nossa sociedade. “Em um mundo de múltiplas telas, linguagens e meios em que vivemos, a produção e disponibilização de materiais de Educação e Comunicação para promoção de saúde não pode mais depender das mesmas alternativas que vêm sendo aplicadas sem sucesso ao longo dos anos. É preciso entender esse contexto e pensar em modelos validados, replicáveis e expansíveis para diversas realidades”, finalizou.