Valéria Credidio / Assessoria de Comunicação do LAIS/UFRN (ASCOM/LAIS)
Em um estado brasileiro, todas as tomografias feitas eletivamente foram realizadas por prestadores privados, mesmo a rede pública tendo o equipamento. No mesmo levantamento realizado, percebeu-se que os tomógrafos públicos são utilizados, em média, 40 vezes por ano. Essa mesma quantidade de exames é realizada por um equipamento, da rede privada, por dia. O resultado é a geração de despesa para o Sistema Público de Saúde.
Os dados foram levantados por pesquisadores do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS/UFRN) e citados pelo diretor do LAIS, Ricardo Valentim, durante os debates do Café com Ideias “Inteligência Artificial na Auditoria do SUS”. A mesa abriu a programação do segundo dia do I Seminário Internacional de Pesquisa e Qualificação do SNA/SUS, na manhã desta quarta-feira, no auditório da Secretaria de Educação a Distância, da UFRN.
Com a mediação do LAIS, participaram dos debates Sandra Cardoso, pesquisadora e gestora do Serviço Nacional de Saúde de Portugal; Leonardo Lins, coordenador de Apurações e de Informações Estratégicas em Saúde da Coord. Geral de Auditoria da Área de Saúde, da Controladoria Geral da União; e a equipe de auditores em saúde do Tribunal de Contas da União com Alexandre Giraux Cavalcanti, Antônio França da Costa, Marcelo Mendonça Salgado e Brian Souza Nogueira.
O relato inicial serviu como uma mola mestra para impulsionar os debates entre os participantes e a importância de se melhorar, cada vez mais, os processos de auditoria. Uma das ferramentas, para se alcançar esse objetivo, seria o uso da inteligência artificial, em maior escala. Os debatedores expuseram suas experiências e opiniões.
Experiências
Em Portugal, o Sistema Nacional de Saúde funciona de forma semelhante ao SUS, garantindo a universalidade, generalidade e gratuidade ao usuário. O SNA atende cerca de 10 milhões de usuários e enfrenta desafios, como o baixo número de médicos, a garantia do acesso de qualidade e a humanização do atendimento. Uma das ferramentas que vem sendo utilizada é a inteligência artificial. De acordo com Sandra Cardoso, que é Diretora do Departamento de Formação, Inovação, Investigação e Desenvolvimento da Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde/SNS de Portugal, a IA vem sendo implementada para sanar evitar desperdício e fraude, melhorar os os atendimentos eletivos, urgências, triagem e encaminhamentos. No entanto, a pesquisa acredita que o uso da IA precisa ser amadurecido. “Temos alguns documentos refletindo sobre regulamentação, impacto e perspectivas de futuro do uso da inteligência artificial na área da saúde. Esse é um processo importante e que precisa ser debatido”, argumentou.
Representando a Controladoria Geral da União (CGU), o coordenador de Apurações e de Informações Estratégicas em Saúde da Coordenadoria Geral de Auditoria da Área de Saúde/CGU, Leonardo Lins, apresentou dois projetos, já em execução e que utilizam a IA. Um deles é direcionado a criar uma malha fina para convênios, buscando coletar informações e dar mais segurança ao trabalho realizado. Esse processo conta com a adesão do Ministério da Saúde, garantindo a lisura dos processos em andamento. Outra experiência exitosa é o Alice, um robô que faz a análise das licitações realizadas no âmbito do SUS”. Somente em 2024 foram economizados mais de R$35 milhões em compras na saúde, após análise feita por esse programa que tem como base a inteligência artificial”, explicou Leonardo Lins.
A equipe do Tribunal de Contas da União também apresentou diversas experiências já colocadas em prática. Com base em levantamentos quanto ao envelhecimento da população brasileira, a equipe chefiada por Alexandre Giraux organizou matrizes de planejamento, visando a sustentabilidade do SUS. Especificamente na área de contratualização dos hospitais do SUS foi formulado um instrumento visando melhorar o atendimento e minimizar os custos do SUS. “Construir um referencial desse processo, partindo da realidade vivenciada no cotidiano da auditoria”, explicou Antônio França da Costa Coord. do Projeto Eficiência na Saúde – AudSaúde/TCU.
Apesar dos resultados positivos, todos os debatedores concordam que os processos de auditoria não podem ser mecanizados, precisando haver o alinhamento entre o conhecimento e a experiência do auditor com as possibilidades que as ferramentas tecnológicas oferecem. “A auditoria em saúde lida com dados sensíveis, experiências humanas e protocolos técnicos. O uso de IA permite que o auditor se concentre no que importa – ouvir e entender – enquanto a tecnologia assegura registros fiéis, precisos e escaláveis”, concluiu Brian Souza Nogueira, Auditor da 1ª Diretoria Técnica da AudSaúde/TCU.