Por Valéria Credidio /Assessoria de Comunicação do LAIS/UFRN (ASCOM/LAIS)
Mais de dois milhões de doses de imunizantes contra influenza foram desperdiçadas no Brasil, entre os anos de 2018 e 2024, representando uma perda superior a R$30 milhões para os cofres públicos. As informações foram publicadas pelo Jornal Brasileiro de Economia da Saúde, na edição de agosto, em artigo de autoria de um grupo de pesquisadores do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
Conforme aponta o levantamento, no período pesquisado houve um aumento significativo de 1.200% nas perdas registradas do imunizante. Em 2018, esses números giravam em torno de 115 mil doses e, em 2024, ultrapassaram a casa de 1 milhão e 400 mil unidades de vacinas contra a gripe, perdidas no Sistema Único de Saúde. A principal causa das perdas está centrada no prazo de validade dos imunizantes, sendo responsável por cerca de 51% do total de doses descartadas, o que revela falhas nos mecanismos de planejamento e distribuição. Outras causas de menor impacto incluem quebra de frascos, falhas no transporte, falta de energia elétrica e reprovação no controle de qualidade, as quais, juntas, representam cerca de 15% das perdas totais. “Mais do que o valor financeiro em si, preocupa o fato de parcela relevante dessas perdas estar associada a causas potencialmente evitáveis, especialmente ao vencimento das vacinas”, ressaltou Israel Felipe, professor doutor da UFRN e um dos autores do artigo.
Para Felipe, esse trabalho é importante por transformar um problema que muitas vezes permanece restrito à dimensão operacional em uma questão concreta de eficiência na utilização dos recursos públicos em saúde. Quando conseguimos mensurar quantas doses são perdidas, onde essas perdas estão concentradas, quais são suas principais causas e qual é o impacto financeiro associado, passamos a produzir evidências que podem efetivamente subsidiar decisões de gestão. “A principal contribuição desse levantamento está em demonstrar que reduzir o desperdício não significa apenas economizar recursos: significa melhorar o planejamento, qualificar a gestão dos estoques e da distribuição e, sobretudo, ampliar a capacidade do SUS de transformar os recursos disponíveis em resultados efetivos para a população”, finalizou o pesquisador.
Como Citar
Macêdo da Costa, J. M., de Oliveira Júnior, E. B., dos Santos Felipe, I. J., de Macêdo Silva, L., de Lima Paiva, J. C., Honório Romão, M., … de Medeiros Valentim, R. A. (2026). Desperdício de vacinas contra a influenza no Sistema Único de Saúde (SUS): dimensão econômica e estratégias de gestão para a redução de perdas. Jornal Brasileiro De Economia Da Saúde, 18, 115–128. https://doi.org/10.21115/JBES.v18.p115-128