Jordana Vieira / Assessoria de Comunicação do LAIS/UFRN (ASCOM/LAIS)

A qualificação na tomada de decisão dos gestores da área da saúde é essencial para um bom fornecimento do serviço à população. Para isso, a tecnologia pode ser uma grande aliada nesse movimento, como é perceptível no artigo “Brazilian national telediagnosis platform: a data report for scientific research and public health improvement”, publicado recentemente por pesquisadores do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS/UFRN), na revista científica internacional Frontiers.

O artigo foi desenvolvido no âmbito da pesquisa de doutorado do pesquisador do LAIS/UFRN, Walter Soares, realizado no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica e de Computação (PPgEEC/UFRN) e orientado pelo professor do Departamento de Engenharia Biomédica (DEB/UFRN) e pesquisador do LAIS/UFRN, Ricardo Valentim. Para o pesquisador, o diferencial do estudo está em sua aplicabilidade prática. “O diferencial deste trabalho é que ele não é um estudo acadêmico isolado em um laboratório; é ciência aplicada em dados do mundo real, validados por médicos e processados com rigor estatístico. Isso eleva o padrão do serviço público, mostrando que o SUS pode ser um celeiro de produção científica de alto nível”, afirma.

A pesquisa também reforça o papel da saúde digital no desenvolvimento de políticas públicas no Brasil, na visão de Soares, “o trabalho evidencia que soluções digitais bem implementadas conseguem transformar dados de rotina em informações acionáveis para a gestão, apoiando a formulação de políticas baseadas em evidências reais e não apenas em estimativas. Isso solidifica a saúde digital como um campo estratégico para reduzir a morbidade e mortalidade por doenças cardiovasculares no país”, reforça o pesquisador.

Ainda de acordo com o Soares, a  Plataforma Nacional de Telediagnóstico (PNTD), foi desenvolvida pelo LAIS/UFRN, tendo em vista uma demanda do Ministério da Saúde (MS), com o objetivo de expandir o acesso igualitário aos serviços de saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). A infraestrutura escalável, segura e interoperável da plataforma permite que o sistema de saúde seja mais resiliente e responsivo.

Na visão do pesquisador, a PNTD desempenha um papel estratégico na democratização do acesso aos serviços de saúde no Brasil, “ela atua na democratização do acesso, mitigando as barreiras geográficas de um país continental como o Brasil e oferecendo exames especializados (ECGs) em mais de 1.300 municípios, muitos deles distantes dos grandes centros urbanos, proporcionando, assim, acesso a pessoas menos favorecidas”, aponta.

Os dados encontrados nos resultados do estudo geram impacto direto na qualificação da tomada de decisão dos gestores em saúde. Para Soares, “a disponibilidade de uma base de dados estruturada e aberta permite que gestores identifiquem padrões locais de comorbidades e aloquem recursos de forma mais eficiente e precisa. O estudo fornece o “mapa” para que gestores possam planejar intervenções que visam a sustentabilidade do sistema de saúde e a melhoria da qualidade de vida da população”, finaliza o pesquisador.