Por Valéria Credidio – Assessoria de Comunicação do LAIS/UFRN (ASCOM/LAIS)

Mudanças climáticas, enchentes e secas em um mesmo país. Essas são situações que interferem diretamente na qualidade da saúde dos seres vivos, fazendo que mudem seus hábitos e habitats. Todas essas questões estão em discussão por meio da One Health, também chamada de uma só saúde. O movimento, proposto pela Organização das Nações Unidas, vem sendo adotado por instituições de ensino em todo o mundo.

Uma delas é a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (Utad), localizada em Portugal. Em palestra para pesquisadores do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS/UFRN) e alunos do curso de Engenharia Biomédica, da UFRN, a professora Patrícia Poeta apresentou diversas ações desenvolvidas pela instituição, por meio do Doutoramento em Saúde Integral One Health. 

Em sua fala, a professora portuguesa enfatizou as pesquisas que estão sendo desenvolvidas, como a resistência aos antibióticos existentes e as alternativas com produtos naturais. Esse é um dos pontos importantes para a pesquisa, tendo em vista a resistência, cada vez maior, das bactérias aos antibióticos existentes no mercado. “A Organização Mundial de Saúde (OMS) já alertou que até 2023 teremos mais pessoas morrendo por infecções resistentes aos antibióticos”, alertou a pesquisadora portuguesa.

Entre as pesquisas desenvolvidas estão a interdependência entre a saúde humana, saúde animal e saúde do meio ambiente. Um dos exemplos citados pela professor é a mudança nos hábitos de higiene que houve na população em geral por conta da pandemia de covid-19. “A covid surgiu de um animal infectado que passou para os humanos. E a pandemia provocou um maior cuidado, com a higiene das mãos, por exemplo, e uso das máscaras”, enfatizou.

Formação
Para se ter essa mudança de comportamento e o fortalecimento do conceito de One Health faz-se necessária a formação continuada dos profissionais da saúde. Somente no Brasil, são mais de quatro milhões de profissionais em 14 áreas diferentes da saúde. O alerta foi o ponto principal da fala do diretor executivo do LAIS, Ricardo Valentim, em sua fala.

Como exemplo, o diretor do Laboratório apontou o Ambiente Virtual de Aprendizagem do SUS. O Avasus é a terceira plataforma de formação profissional continuada do mundo, ficando atrás apenas das plataformas da OMS e da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS). A plataforma, que é de responsabilidade do LAIS, conta atualmente com mais de três milhões e 800 mil inscrições realizadas em 463 cursos formativos. “O profissional precisa olhar para a saúde de maneira integrada. Precisamos responder às situações que se apresentam de maneira transdisciplinar, integrando em um único conhecimento”, argumentou Valentim. 

Após a fala dos dois pesquisadores, foi aberto o debate, mediado pela professora Karilany Coutinho, contando com a participação do pesquisador Manoel Romão.