Valéria Credidio/ Assessoria de Comunicação do LAIS/UFRN
Somente no ano de 2025, o faturamento de cinco hospitais da rede da Secretaria de Saúde Pública do Rio Grande do Norte (SESAP/RN) alcançou mais de R$74 milhões, consolidando um crescimento expressivo de 29,6% em relação ao ano de 2022. O crescimento que revela uma projeção recorde no aumento do faturamento é impulsionado pela transformação digital na saúde no RN, com a incorporação do Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP Mais RN).
A ferramenta foi desenvolvida pelo Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS/UFRN), em parceria com a SESAP, está em funcionamento em 10 hospitais da rede hospitalar do estado, incluindo o Hospital Walfredo Gurgel, em Natal, e Tarcísio Maia, em Mossoró, demonstrando números expressivos.
Após a incorporação do PEP Mais RN os processos de trabalho e fluxo assistenciais passaram a ser corrigidos, aprimorados e em alguns casos definidos. Com o novo modelo houve a redução de sub-registros dos pacientes e dos procedimentos realizados nas unidades hospitalares. De acordo com o pesquisador do LAIS/UFRN, Ricardo Valentim, o PEP Mais RN tem atuado não apenas como uma tecnologia que corrige e qualifica a entrada de dados. “O processo de transformação digital tem atuado como uma ferramenta que qualifica a gestão na política pública de saúde em uma das áreas mais caras, evitando a perda de recursos”, afirmou.
O pilar central para os resultados alcançados é o trabalho conjunto entre o Grupo de Economia da Saúde e a Equipe de Faturamento da SESAP/RN. A partir da incorporação do PEP Mais RN, esses grupos conseguiram consolidar o faturamento de forma mais qualificada, transformando dados brutos em informações estratégicas para a tomada de decisão. “A tecnologia é muito importante, todavia, a inovação decorrente dela vem essencialmente da atuação desta como ferramenta de indução das políticas públicas de saúde”, argumentou Valentim.
“Não entregamos apenas um software; estabelecemos um modelo de cooperação técnico-científica focado na inovação em saúde para o SUS potiguar. Ao alinhar a tecnologia às singularidades locais e ao trabalho de quem está na ponta, criamos soluções digitais sob medida. Isso se traduz em resultados urgentes, como a eliminação de perdas de receita e o aumento do faturamento hospitalar, garantindo uma gestão financeira eficiente e controlada”, reforçou o professor.
O pesquisador ressalta também a cooperação técnica entre o LAIS/UFRN e a SESAP/RN e a competência das equipes envolvidas. “A tecnologia, isoladamente, é insuficiente; o ganho real surge do uso racional da tecnologia e da capacidade humana de interpretar os dados qualificados que ela entrega”. Este é, portanto, um exemplo nítido de como a SESAP/RN induz políticas públicas eficazes ao aliar o desenvolvimento científico, tecnológico e a inovação em saúde a uma governança técnica rigorosa e baseada em evidências científicas, garantindo que a produção hospitalar reflita a realidade da assistência prestada à população potiguar.
Ainda conforme o pesquisador do LAIS, as projeções para o futuro são bastante promissoras com a expansão do serviço em todos os 21 hospitais da rede estadual até 2027. “Estimamos um incremento financeiro superior a R$ 500 milhões até 2030 — um recurso que retorna diretamente para o fortalecimento do SUS potiguar”.
A secretária adjunta de saúde do RN, Leideane Queiroz, reforça as expectativas dos pesquisadores do LAIS. Ela, que vem acompanhando, desde o início, o processo de construção e implementação do PEP, acredita que o ecossistema tecnológico é um marco na gestão pública em saúde. “Precisamos superar a visão analógica, fragmentada e sem evidências para sistematizar processos operacionais e assistenciais, abrindo espaço para que o valor humano possa ser investido onde realmente importa.”
Vidas Salvas
Com toda a modernização trazida pela tecnologia, minimizando erros e desperdícios, o PEP Mais RN é uma ferramenta importante para salvar vidas e garantir o melhor e mais eficiente atendimento aos pacientes.
Somente na manhã desta segunda-feira, dia 27 de abril, antes das 9 horas, já haviam sido registrados, 365 atendimentos em toda a rede hospitalar, com um tempo de espera médio de 55 minutos. Para realizar esses atendimentos, haviam 9026 profissionais da saúde envolvidos, desde a triagem passando pelo atendimento médico, diagnóstico e procedimentos necessários para cada caso. Em seus três anos de funcionamento, a plataforma registra mais de 140 mil vidas salvas somente nos dez hospitais da rede. Os dados são da própria plataforma (https://pep.sgh.saude.rn.gov.br/) que pode ser acessada por qualquer cidadão.
“O PEP não é uma solução meramente mercadológica, pelo contrário, ele atende sumariamente aos interesses sociais e chega onde os grandes centros tecnológicos e especialistas não chegam. Com ele e com todo o ecossistema de saúde digital do RN esperamos estar cada vez mais próximos do usuário e do topo da gestão pública.”