Por Jordana Vieira – Assessoria de Comunicação do LAIS/UFRN
A capacitação de profissionais de saúde da Atenção Primária é uma ferramenta que contribui diretamente para melhorias no Sistema Único de Saúde (SUS). Esse foi um dos achados do artigo intitulado “Impactos da educação continuada para profissionais de saúde na atenção primária à saúde: uma revisão de escopo”, publicado recentemente por pesquisadores do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS/UFRN), na revista científica internacional PLOS One, especializada em estudos primários na área da ciência e medicina.
Entre os autores da revisão de escopo que organiza as principais evidências sobre os efeitos da educação permanente na Atenção Primária à Saúde no Brasil, estão Laianny Krizia Pereira, José Adailton da Silva, Eva Emanuela Feitosa, Alexandre Caitano, Janaína Luana, Manoel Romão, Natalia Araújo Batista, Lyane Ramalho, Karilany Coutinho, Aline de Pinho, Thaísa Lima, Ricardo Valentim e Tatyana Rosendo.
O objetivo principal do artigo é identificar e analisar as evidências sobre os impactos dos gastos com saúde para os profissionais de saúde no contexto da Atenção Primária à Saúde no Brasil, por meio da metodologia de revisão de escopo. Com base nos estudos analisados, incluindo 15 artigos científicos e uma tese de doutorado, foi concluído que a Educação Continuada em saúde tem um impacto positivo na formação de profissionais da Atenção Primária e na qualificação dos serviços de saúde, mas ainda é necessário estudos que avaliem os impactos a longo prazo, além disso, a ampliação de estratégias, como o ensino mediado por tecnologia e abordagens híbridas, devem ser cogitadas para uma maior contribuição da equidade ao acesso à formação profissional.
Na visão da pesquisadora do LAIS/UFRN e doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Saúde da Família (PPGSF), Laianny Krízia Pereira, o artigo é de grande relevância para os estudos na área da saúde, já que traz uma contribuição inédita. “Ao mapear temas, estratégias formativas e indicadores utilizados, o estudo contribui para organizar o conhecimento produzido na área e evidencia lacunas relevantes, especialmente na avaliação de resultados em saúde. Isso fortalece o campo de pesquisa ao indicar caminhos para estudos futuros mais robustos e orientados por evidências”, afirma.
Ainda para a pesquisadora, os resultados encontrados também influenciam no desenvolvimento e fortalecimento de políticas públicas em saúde e educação mais eficazes e sustentáveis, já que os resultados servem de base para decisões políticas orientadas por evidências. “Os achados oferecem subsídios concretos para a formulação e o aprimoramento de políticas públicas ao demonstrar que investir em educação permanente gera efeitos positivos nos serviços de saúde. O estudo reforça a importância de políticas que integrem educação e trabalho, incentivem o uso de estratégias digitais e, principalmente, adotem modelos de avaliação capazes de acompanhar não apenas mudanças nos processos de trabalho, mas também seus impactos nos indicadores de saúde”, enfatiza a autora.
De acordo com a análise da professora do Departamento de Saúde Coletiva/UFRN, Tatyana Rosendo, o estudo interfere diretamente no trabalho cotidiano feito pelos profissionais de saúde do SUS, já que mostra que a educação permanente ajuda as equipes a seguirem protocolos, trabalharem melhor em conjunto e responderem com mais eficiência aos problemas de saúde do dia a dia. “Para o SUS, o estudo reforça algo fundamental: profissionais bem preparados fazem diferença na qualidade da assistência. Além disso, destaca o papel das tecnologias e do ensino à distância como estratégias importantes para alcançar profissionais em todo o país, ampliando o acesso e contribuindo para um SUS mais forte e mais justo”, finaliza.