Jordana Vieira – Assessoria de Comunicação do LAIS/UFRN

O acesso universal, integral e gratuito a serviços de saúde para toda a população é capaz de realizar avanços extraordinários, como por exemplo, eliminar um problema de saúde pública e mudar o curso da história da situação epidemiológica do vírus da imunodeficiência humana (HIV) e da síndrome da imunodeficiência adquirida (aids) no Brasil. O início deste mês foi marcado pela divulgação do novo boletim epidemiológico do Ministério da Saúde (MS), que consta que o país conseguiu eliminar a transmissão vertical do HIV, que é quando o vírus passa da gestante para o bebê durante a gravidez, parto ou amamentação, e alcançou a menor taxa de mortalidade por aids das últimas três décadas.

O Brasil iniciou o enfrentamento à epidemia de HIV e aids na década de 1980, quando começaram a surgir os primeiros casos. Desde então, são 40 anos de trabalho na saúde pública para alcançar este marco histórico. O boletim epidemiológico registra a queda de 13% no número de óbitos por aids entre 2023 e 2024, o que significa mais de mil vidas salvas. Esses são os resultados de evoluções na prevenção, no diagnóstico e no acesso gratuito fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ao tratamento capaz de tornar o vírus indetectável e intransmissível. 

O boletim epidemiológico de 2025 mostra que o Brasil atingiu os critérios internacionais para eliminar a transmissão vertical do HIV, com resultados que estão alinhados aos critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS), seguindo uma trajetória sustentável de queda da aids e da mortalidade por aids, com detecções de HIV estáveis. 

O Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS/UFRN) também faz parte desta história. Recursos Educacionais Abertos (REA) na área da Saúde promovidos pelo Ambiente Virtual de Aprendizagem do SUS (AVASUS) são algumas das ferramentas que auxiliaram nesta conquista. O AVASUS é uma plataforma educacional online que oferece cursos gratuitos para profissionais, estudantes e a população em geral, com o objetivo de qualificar a formação, a gestão e a assistência no SUS. A plataforma conta com cursos como Vigilância Epidemiológica de HIV e aids, O cuidado de pessoas com HIV/aids na Atenção Básica, Alimentação e Nutrição para Pessoas com HIV e AIDS e tantos outros promovidos pelo LAIS/UFRN em parceria com a da Secretaria de Educação a Distância (SEDIS), com financiamento do Ministério da Saúde (MS). 

As evidências fornecidas pelo boletim garantem equidade e qualidade na resposta brasileira ao HIV e à aids, asseguradas pela tomada de decisão qualificada no SUS, possibilitada pelo acesso a dados concretos e qualificados. 

Avanços no combate à sífilis no Brasil
Neste mesmo caminho, em 2025, o enfrentamento à sífilis também alcançou avanços significativos. De acordo com o boletim epidemiológico da sífilis divulgado em outubro deste ano, pelo Ministério da Saúde (MS), houve uma diminuição de casos de sífilis congênita pela primeira vez em três anos, com 24.443 diagnósticos em 2024, o que representa uma redução de 2.677 casos em relação a 2022. De modo geral, os dados evidenciam a estabilidade e o fortalecimento da vigilância e da resposta nacional à infecção.

Além disso, também o documento atesta avanços na eliminação da transmissão vertical, desde 2017 até o fim de 2024, 151 municípios receberam certificações por boas práticas rumo à eliminação da transmissão vertical, quando passa da gestante para o bebê, 58 especificamente para sífilis congênita.

Houve também a expansão da testagem rápida com o “TR Duo HIV/Sífilis”, um teste rápido que detecta simultaneamente a presença de anticorpos para HIV e sífilis em uma única amostra de sangue, soro ou plasma. Em 2024, o Ministério adquiriu 4,5 milhões de testes Duo, já em 2025, houve ampliação de mais de 40%, totalizando 6,5 milhões de testes. 

Esse resultado decorre da integração entre diversas ações de assistência, vigilância e academia. O LAIS/UFRN também tem um papel fundamental nisso, por meio do “Sífilis Não”, projeto fruto de uma parceria do LAIS junto ao Ministério da Saúde, com o apoio da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), sendo o maior projeto de enfrentamento à sífilis no contexto da saúde global.

O principal objetivo da ação interfederativa é contribuir para redução dos casos de sífilis adquirida e sífilis em gestantes no Brasil. Isso vem sendo alcançado através de iniciativas realizadas em quatro eixos distintos: gestão e governança, vigilância, cuidado integral e fortalecimento da educação e comunicação. 

Este ano o “Sífilis Não” também obteve o reconhecimento do Tribunal de Contas da União (TCU) na efetividade do enfrentamento à sífilis. Implementações de soluções em saúde digital, como o Salus, Plataforma de Saúde Digital destinadas ao monitoramento, gestão de casos, controle, integração, são parte dos resultados apresentados pelo projeto. Tais aspectos garantem mais transparência e integridade nas informações que auxiliam a tomada de decisão na atenção primária e vigilância em saúde.