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Pesquisa desenvolvida no LAIS pode diminuir filas em maternidades públicas

Projeto Eileithyia foi concebido em tese de doutorado da pesquisadora Yascara Menescal na Maternidade Escola Januário Cicco

Um projeto desenvolvido no Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde da UFRN (LAIS) promete otimizar o trabalho de triagem de gestantes de alto risco em unidades de saúde de todo o país. É o que se propõe com a implementação sistema Eileithyia, desenvolvido pela pesquisadora Yaskara Menescal, do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica e de Computação do Centro de Tecnologia (PPGEEC/CT).

O projeto foi desenvolvido durante uma pesquisa realizada na Maternidade Escola Januário Cicco (MEJC), como tese de doutorado. Segundo a pesquisadora, um levantamento prévio possibilitou identificar que cerca de 40% de todos os prontuários de pacientes encaminhadas para a MEJC oriundos de unidades de saúde de Natal e do interior não eram, de fato, confirmados como de alto risco.

"Com isso, vimos que era necessário um sistema que otimizasse esse encaminhamento. Daí surgiu o Eileithyia, que quer dizer "gestantes". Esse sistema tem o objetivo de fazer essa parte de encaminhamentos, onde na unidade básica o enfermeiro ou o médico atende a paciente e adiciona os seus dados em um formulário. A partir desse momento, o sistema avalia se essa paciente é de alto risco ou não, realizando uma espécie de pré-diagnóstico", explicou Yaskara.

"Por exemplo, uma paciente que chega lá e tem hipertensão, o sistema vai indicar que ela é de alto risco. Com isso, o médico ou o enfermeiro já podem encaminhar a paciente para a maternidade escola, onde os médicos de lá irão analisar e confirmar. O sistema vai auxiliar nisso. Caso os médicos da MEJC analisarem que não é uma paciente de alto risco, ela vai seguir com o seu pré-natal em uma unidade básica", completou.

Para a gerente de ensino e pesquisa da Maternidade Januário Cicco, Maria da Conceição Cornetta, o sistema vai possibilitar um atendimento mais direcionado e ágil para as pacientes que apresentam gravidez de alto risco. "A gente costuma dizer que o tempo na gravidez é muito pequeno para agir, para detectar alterações e tomar condutas que beneficiem o bebê e a mãe. E quanto mais a paciente espera, mais ela pode ser prejudicada no fim de tudo. Então a gente pensou não só na praticidade, mas também no tempo para a paciente chegar até aqui", disse.

Mais agilidade, menos filas

De acordo com o professor doutor Ricardo Valentim, orientador da tese de doutorado e coordenador do LAIS, ao ser implementado, o projeto deverá ter um efeito direto. "O Eileithyia vai ajudar a diminuir as filas nas maternidades consideradas de referência. É um projeto feito aqui em Natal, que pode ser adaptado em escala para todo o Brasil", afirmou.

Valentim destacou ainda o fato de o projeto otimizar não só o serviço, como também o custeio dos procedimentos do Sistema Único de Saúde. "O projeto consegue classificar com um nível de certeza muito maior, o que possibilita que a mulher venha para a maternidade e já possa ser atendida como uma gravidez de alto risco. Todo acompanhamento é melhor, além de gerar uma redução de custo para o SUS e otimiza o atendimento das mulheres para a maternidade", completou ele.

Por Arthur Barbalho e Cintia da Hora
05 de setembro de 2017