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Casos de sífilis ocular no Brasil preocupam especialistas

Variação da doença pode trazer complicações sérias e até afetar a visão de forma permanente se não for detectada de maneira precoce

 

A sífilis ocular é um dos problemas relacionados à neurossífilis. Pode ocorrer em qualquer estágio da sífilis e envolver diferentes partes da estrutura dos olhos. Entre os sintomas mais comuns da doença estão a redução da visão, o aparecimento de pontos flutuantes, dor, vermelhidão na conjuntiva e maior sensibilidade à luz.

 

Apesar de não haver um levantamento específico sobre o número de brasileiros que tiveram a visão afetada em decorrência do problema, os dados recentes que revelam a ascensão da doença no país colocam em alerta a população.

 

“Frequentemente, a sífilis ocular está relacionada à meningite sifilítica. Portanto, a investigação com punção lombar é sempre recomendada”, explica a médica sanitarista Adele Benzaken, especialista em doenças sexualmente transmissíveis.

 

Um recente estudo realizado em quatro centros médicos no Brasil durante dois anos e meio, entre 2013 e 2015, e publicado no Jornal da USP, revelou um aumento no diagnóstico da doença, que pode causar dano permanente à visão.

 

O levantamento avaliou 127 pacientes com a doença. Desses, 96 eram homens e 31 mulheres, entre 22 e 88 anos. Desse total, 87 pacientes tiveram inflamação ocular bilateral (manifestações em ambos os olhos), queixas e alterações no exame físico. A principal queixa foi a baixa visão. Eles passaram por exames de acuidade visual e de fundo de olho.

 

Parte dos pacientes apresentaram alterações anatômicas, estruturais e funcionais do olho, como descolamento de retina. A doença pode levar à perda da visão porque atrapalha a luz a chegar até a retina, impedindo que o estímulo seja transportado até o cérebro. O diagnóstico incorreto atrasa o tratamento adequado.

 

Atenção ao diagnóstico

Por isso, o recomendado é que os pacientes diagnosticados com sífilis sejam encaminhados a oftalmologistas, caso haja queixas oculares. Apesar de a doença afetar mais homens, qualquer um pode ser exposto e infectado.

 

O tratamento padrão recomendado utiliza como base a penicilina cristalina (endovenosa). Caso os primeiros acompanhamentos sejam realizados assim que a doença for detectada, os problemas causados pela infecção podem ser revertidos. No entanto, em algumas complicações mais graves, a perda da visão pode ser permanente.

 

Fonte: Revista Metrópoles

31 de janeiro de 2019

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